Você decidiu ou apenas encontrou uma justificativa para continuar?
Quando insistir deixa de ser resiliência e passa a ser repetição.
Você decidiu ou apenas encontrou uma justificativa para continuar?
Quando insistir deixa de ser resiliência e passa a ser repetição.
29/08/2026 - www.vitorkapustanpsicanalise.com.br
Uma ideia de Rápido e Devagar me fez pensar sobre resiliência e a hora de mudar de caminho
Tem livros que a gente lê pelas respostas. Outros, pelas perguntas. Rápido e Devagar, de Daniel Kahneman, me chamou atenção por uma ideia simples: nem sempre decidimos de forma tão racional quanto imaginamos.
Segundo Kahneman, nossa mente funciona de dois jeitos. Um é rápido, automático, intuitivo. O outro é mais lento, analítico e consciente. O curioso é que, muitas vezes, primeiro agimos e só depois encontramos uma explicação para aquilo que fizemos.
Essa ideia me fez lembrar um tema que aparece no meu livro Resiliência e Insistência – Quando Avançar e Quando Recalcular a Rota.
Resiliência não é insistir para sempre
Existe uma frase que ouvimos desde pequenos: “Não desista.” Ela faz sentido em muitos momentos. Mas também pode virar uma armadilha.
Quantas pessoas permanecem em um relacionamento, em um trabalho ou em um projeto apenas porque já investiram tempo demais? Não porque ainda faça sentido, mas porque mudar parece admitir uma derrota.
É aí que eu faço uma distinção importante: resiliência é diferente de insistência.
Resiliência é adaptar-se, aprender, recalcular quando necessário. Insistência é continuar no mesmo caminho, mesmo quando ele já deixou de levar para onde queremos.
A psicanálise acrescenta outra pergunta
Na clínica, percebo que nem sempre repetimos algo porque acreditamos que seja o melhor. Às vezes repetimos porque mudar assusta mais do que permanecer.
Freud chamava atenção para a repetição de experiências que ainda não foram elaboradas. Em outras palavras: o problema nem sempre é falta de força para mudar. Às vezes é falta de sentido para sair daquele lugar.
Talvez a pergunta seja outra
Em vez de perguntar “eu devo desistir ou continuar?”, talvez a pergunta seja:
Continuar assim ainda faz sentido?
Mudar de rota não apaga o caminho percorrido. Apenas reconhece que hoje você é diferente de quem fez aquela escolha no passado.
Essa, para mim, é uma das formas mais maduras de resiliência: ter coragem de continuar, mas também coragem de mudar quando continuar deixou de ser vida e virou repetição.
______________________________________________________________ Este texto nasceu de uma reflexão inspirada nas ideias centrais deRápido e Devagar, de Daniel Kahneman, e dialoga com o tema do meu livroResiliência e Insistência – Quando Avançar e Quando Recalcular a Rota.